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Mangue Negro

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Mangue Negro
O resultado final lembra os primeiros filmes dos diretores Peter Jackson e Sam Reimi.

É fato que muita gente já fez filmes de zumbi por aí, mas os títulos no Brasil não são só escassos, são praticamente inexistentes. As únicas exceções são o curta Capital dos Mortos, o longa-metragem Mangue Negro e o ainda não lançado Porto dos Mortos.

A explicação para o número reduzido de títulos é fácil. Se, de maneira geral, o investimento financeiro em cinema nacional é limitado e indisponível, imagine quando se trata de um gênero que costuma não receber incentivos em nenhum lugar do mundo.

Uma das qualidades de Mangue Negro vem junto com esta constatação. A coragem de Rodrigo Aragão ao levar adiante um projeto desses sem dinheiro e sem apoio é de chamar a atenção e deixa todo o resultado mais interessante.

O argumento é muito original e não segue aquela bobagem de zumbis que se apóiam nas mesmas e repetitivas justificativas. Pelo contrário, traz à tona a degradação ambiental e em nenhum momento soa doutrinador, como outros ecofilmes, e nem gratuito.

Depois da exploração desmedida de um manguezal, a pequena comunidade residente do local tem que fugir de estranhas criaturas que surgem da lama para acabar com a humanidade.

O explorador, o pai autoritário, a mãe doente, o mocinho, a preta velha e aquele pescador que conhece todas as lendas do local se misturam a outras personagens não menos interessantes para tornar a história ainda mais interessante.

Rodrigo Aragão assina o roteiro, a direção, a direção de fotografia e a maquiagem do filme e, além de contar com locações emprestadas, conta com a participação de amigos, colaboradores e moradores da aldeia de Perocão, em Guarapari.

O resultado final lembra os primeiros filmes dos diretores Peter Jackson e Sam Reimi e consegue conquistar os espectadores completamente. Muito, também, pelo roteiro que mantém uma tensão sempre crescente e sabe como misturar o suspense, o terror e a comédia.

O mangue é um lugar perfeito para o desenvolvimento da trama e para o surgimento das criaturas fantásticas criadas por Aragão, sem falar que combina perfeitamente com a trilha sonora. Os zumbis, sejam eles maquiagem ou bonecos, são muito bem feitos e impressionam. As sequências sanguinolentas também são ótimas e não ficam devendo nada a títulos gore de outros países.

Os atores também estão muito bem, com destaque para Walderrama dos Santos, como o tímido e contido Luís da Machadinha, e André Lobo, como a velha Benedita, que, mesmo com suas falas simples, arranca gargalhadas até dos mais sérios.

Claro que o filme tem alguns defeitos e sofre com a falta de verba. Se a maquiagem das criaturas é fantástica, a das personagens idosas não fica muito bem. Alguns planos também não são muito bons e algumas sequências poderiam ser mais curtas do que são.

Todos esses momentos juntos, porém, não chegam a apagar o brilhantismo de Mangue Negro, um título que assume seu lado trash e traz de volta às telas uma boa história de zumbis. O filme convence e causa admiração em todos os fãs do gênero, além de deixar todos os brasileiros orgulhosos.

Daqueles que já nascem clássicos. Imperdível!

 

 


Por Cecilia Barroso

http://www.cenasdecinema.com/
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